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Noite de segunda-feira (22), cinco meninas e dois meninos são fechados em uma sala do Conselho Tutelar, sob efeito de alucinógenos. Uma menina sai e se irrita com a presença da câmera. Os menores arremessam tudo o que encontram pela frente. Policiais chegam para acalmá-los. A desordem dura praticamente quatro horas. Parece que um furacão passou pelo Conselho Tutelar. Sob o olhar paciente dos policiais, a caminho da delegacia, os menores arremessam mais objetos. Na delegacia, nova confusão.
A ação dos menores começou pouco antes das 15h, em um hotel na Zona Sul de São Paulo. Enquanto um distrai a recepcionista, os outros passam escondidos. Depois, todos sobem as escadas, entram em um quarto, pegam o celular de uma camareira e tentam fugir. O grupo foi apreendido instantes depois, ainda perto do hotel. Depois de toda a confusão, as cinco crianças foram levadas para abrigos municipais.
Em apenas dez minutos, por vontade própria, duas delas voltaram para as ruas. As outras podem sair a qualquer momento porque a lei não permite nenhum tipo de restrição à liberdade para menores com até 11 anos de idade. Já os dois adolescentes passaram a noite na Fundação Casa, a antiga Febem. Segundo a promotoria, os sete menores têm famÃlias, mas dormem nas ruas.
NOSSA OPINIÃO
“Enfrentaram a polÃcia. O que me chamou a atenção é que apenas dois tinham mais de 12 anos, pois outros eram crianças de oito, nove anos. Para elas ficarem daquele jeito, algo aconteceu. Alguma provocação. O que culminou aquilo? A revolta da vida deles? Alguém pode até dizer âsão trombadinhas, monstrinhosâ. O caso de menores com 15, 16, 17 anos assaltando e abusando sexualmente de idosos como aconteceu aqui, até concordo. Mas com nove, 10 anos, tiveram a infância roubada e são vÃtimas. Acredito que nessa fase da vida ainda pode ter recuperação, pois é um pouco mais fácil.
Mas o que elas viram, experimentaram? Não tem pais e nem paz. Tiveram acesso a entorpecentes e drogas. São vÃtimas de um sistema falido. A maneira como elas estavam, e vai depender para onde elas vão, São Paulo hoje é vÃtima de uma escola chamada FEBEM que formou muitos bandidos e que depois foram fazer vestibular, estudaram e se prepararam para a bandidagem. A universidade era o Carandiru. No Rio de Janeiro era Bangu 1 e outros presÃdios. Para aqueles que cometiam os primeiros crimes e eram misturados com os mais perigosos bandidos. Saiam com a maior revolta do mundo todo. Nosso sistema prisional não funciona para recuperar alguém”.
Léo Valente
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